A Biblioteca
Escolar do século XXI pretende criar hábitos de leitura, não apenas porque ler
nos abre novos horizontes, mas porque a matéria escrita nos pode levar à
interpretação individual, no fundo, a uma liberdade criada apenas dentro de
nós. Esse jogo, que nos oferece a oportunidade de desenhar interiormente o
protagonista ou os cenários descritos em cada página, talvez seja onde triunfa
o livro, na possibilidade de nos conduzir entre mundos, mas na condição de
sermos nós, o leitor, a decidir quais e de que forma existem.
O concurso Ver
para Ler, agora no seu 3.º ano, foi idealizado para desconstruir e reconstruir
este processo inventivo. Num primeiro nível, pode apresentar-se como sendo a
comparação entre um livro e a sua adaptação cinematográfica, onde o aluno
deverá reconhecer diferenças e identificar semelhanças entre ambos. Contudo, o
objetivo, num plano mais profundo, pretende levar à reflexão entre o filme que realizamos com as nossas personagens,
num mundo que inventámos pelas palavras do escritor, e aquele produzido para
ser projetado numa sala de cinema, adaptado e, por
vezes, amputado pela força das duas horas impostas pela
indústria cinematográfica.
O Ver para Ler
quer relevar a história além do meio onde é partilhada. Ainda que as diferenças
existam, o importante será compreendê-las e aceitá-las, como parte inerente ao
processo criativo. É um projeto que procura a reflexão a vários níveis, durante
a leitura do livro ou o visionamento do filme, na comparação entre obras, na
justificação das decisões no processo de adaptação e durante a prova, em si,
onde as perguntas são criadas para conduzir o aluno ao longo de uma terceira
narrativa: de que forma essas obras existem, quem são as pessoas que as criaram
ou onde foi registado o filme a que assistiram.
Este projeto de
leitura, provocador no seu centro, fomenta a crítica, compara as personagens
criadas em cada um de nós com os atores selecionados para o papel, e os cenários
desenhados intimamente com os captados na lente.
A prova em si,
para os alunos do 3.º ciclo, integra 25 perguntas/desafios, todas passíveis de
serem pesquisadas na Internet, divididas em momentos distintos, sendo realizada em grupos de dois elementos.
Pergunta-se sobre o autor do livro, chamando a atenção sobre a obra, além do
livro e sobre o realizador, além do filme; a relação entre obras; das
diferenças mais simples às mais contundentes; compara-se a banda sonora do
filme com as imagens do filme ou com frases do livro; ordenam-se fotogramas de
acordo com o livro; ouve-se música e pesquisa-se curiosidades aparentemente
inócuas.
Neste ano
letivo, foram selecionadas as obras O Amigo Gigante, de Roald Dahl (livro) e de
Steven Spielberg (filme). Como resultado, no Agrupamento, participaram 30
equipas: 12 da escola José Carlos da Maia e 18 da escola Professor Paula
Nogueira. Ao nível do concelho, houve 102 inscrições, 204 alunos de sete
escolas que leram um filme e que viram um livro (foi assim escrito
propositadamente).
O projeto Ver para Ler, idealizado e dinamizado pelos professores bibliotecários de
Olhão, destina-se não só aos alunos do 3.º ciclo, mas
também aos do secundário de todas as escolas do concelho, e conta com o apoio
da Biblioteca Municipal e da autarquia.
É um projeto de parceria que começa a
ser um marco na história da Rede de Bibliotecas de Olhão e já tem assegurada a
continuidade para o próximo ano.
Conheça aqui o Regulamento do Ver para Ler
A prova deste ano
Fotos da atividade